A importância de se ter um bom som
28/07/2016 - 11h54 em Editorial

Olá, sou eu, o Johnny Cruz. Como muitos sabem, sou advogado, mas possuo formação técnica em elétrica, e em minhas horas vagas, faço parte da equipe do Forró Pé de Calçada, onde sou o responsável pela programação musical e sonorização do evento. O Tema é recorrente.... SOM... Mas o que as pessoas entendem por essas três letras. Vamos lá

Som é o conjunto de frequências audíveis ao ouvido humano (de 20hz até 20Khz).

Na semana passada ocorreu o festival de Itaúnas, que é considerado o maior evento da cena forrozeira. Não conheço pessoalmente, mas as reclamações já são conhecidas, geralmente questionam os critérios adotados e que há problemas no som na apresentação. Sobre pontuação e meritocracia não posso e nem opinaria, sobre som, também não, mas vou levantar uma questão.

Se as grandes bandas que são consagradas e que já fazem parte do nosso cotidiano, quando em apresentações importantes (ou não), fazem com seu próprio técnico de som! Às vezes me pergunto, vejo bandas que compram instrumentos caríssimos para se apresentar em eventos como o FENFIT e não pensam em levar seu técnico... Eu Penso que não há ninguém que saiba entregar ao publico melhor a identidade musical e características de um conjunto que um técnico de som, gabaritado e que acima de tudo acompanha a banda e conhece timbres e perfis de cada musico.

Vejo a evolução sonora de uma banda que possui técnico de som, não vou citar nomes, mas em cada casa noturna o som era diferente, não havia identidade sonora. Hoje, onde quer que você veja a banda, o som é incrível, claro que além do ensaio e do talento da banda não faz sentido se quem leva esse som ao público não conhece, ou não gosta do que faz.

Outro exemplo; certa vez fui acompanhar a apresentação de uma um trio que conheço bastante. Quando o show começou, comecei a reparar que o vocalista estava gritando, desafinando e até mesmo se perdendo dentro do show, quando me aproximei, vi que não havia retorno e que o vocalista estava sem conseguir se ouvir e inconscientemente começou a gritar para conseguir se ouvir nas caixas para o público. Era um trio excelente que conheço muito, mas muitos não conheciam e começaram a falar “nossa, que trio horrível” sem poupar criticas.

Eu em minha consciência sabia que não era a banda, e sim culpa do som, e até hoje me falam dessa apresentação de como o som foi ruim e que a banda era péssima, ou seja, uma banda queimada pela péssima qualidade de som do estabelecimento.

Mas porque as bandas não tem técnico de som? Simplesmente porque geralmente as casas pagam caches irrisórios (quando pagam), e que se houver a necessidade de aumentar mais um integrante, a fatia do bolo fica menor ainda.

Há outros fatores.

Há algumas casas de grande porte que possui técnicos de som residentes, ninguém melhor do que eles pra mexer no som você deve se perguntar.... mas é justamente o contrário, o técnico de som da casa conhece o som da casa, sabe de suas características e timbres, sabe até onde é possível ir, mas não conhece o som de todas as bandas....então o técnico de som de uma banda passa a ser fundamental, pois conhece o som da banda, e não da casa, então a união entre esses dois é fundamental.

No Forró Pé de Calçada esse tema é levado à exaustão, estamos longe de se ter um bom som, usamos produtos de 2ª e 3ª mão, produtos réplicas entre outros, mas que vem dando conta do recado (estando ainda muito distante do que seria um som de alta qualidade).

Nossa gigantesca mesa de som é quase de museu, possui cerca de 30 anos, compramos por uma fração do preço dela, e que resolveu uma serie de problemas e acabou por gerar outros (como de transporte).

A cada dois dias faço uma busca na internet por produtos em promoção ou usados para tentar renovar nosso parque de equipamentos.

Entendemos que quanto mais qualidade, mais forrozeiros novos vamos agregar para o movimento, mais o publico conhece o verdadeiro som da banda. Lembrando que o equipamento do forró pé de calçada foi comprado através dos valores recebidos com a venda de camisetas e do aluguel do mesmo para festas e eventos, já que o projeto não possui patrocínio de casas noturnas, de eventos ou da prefeitura.

Concluindo, não importa o que você faça no palco, se o técnico ou carinha do som, ou o mesário, ou dj, ou seja lá como é chamado, ele geralmente não conhece o seu som, não conhece os timbres de voz, não conhece a captação de sua sanfona, ou seja, ele conhece apenas de som, logo, se você participa de um festival onde o técnico tem 4/5 musicas para conhecer o seu som e sua identidade e trazer para o publico é difícil, então que tal no futuro ter seu técnico?

Para quem trabalha com som, não apitar(microfonia) já um baita negócio, então imagina se dá tempo de levar ao publico o que a banda gostaria, correndo o risco de começar a apitar? ... Eu acho difícil, e por isso, digo a quem possa interessar que, o primeiro passo para se profissionalizar não é ter instrumento mais novo de marca renomada....o primeiro passo para se profissionalizar é ter um técnico de som que conheça seu trabalho e identidade e que consiga levar essa identidade aonde quer que você toque.

Agora o puxão de orelha... Uma das coisas mais imprecisas do mundo é o áudio, pois possui uma série de variáveis (Pressão do ar, temperatura, vento, posição do microfone, etc). Então para se reduzir essas variáveis, passar o som é fundamental, então entenda que os técnicos podem passar monitores, microfones e tudo, mas nunca substituirá uma passagem de som.

Creio que seja só isso....kkkkkk

 

Johnny Cruz

 

Julho 2016

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