A culpa é nossa...
23/02/2016 - 17h06 em Editorial

Olá queridos amigos e amigas Pé de calçada. Hoje quero falar sobre um assunto um tanto delicado.  Na verdade vou escrever para defender o meu lado. Longe de mim ser a voz da razão, mas gosto de levantar pontos e discussões, no qual acredito que somente assim evoluímos e construímos  algo melhor.

“Mas do que diabos você está falando senhor Tércio EMO Gomes?”. - Vocês devem está se perguntando.

Bem,  recebi tanto pelo meu “Whats App”  no meu “Facebook”  o artigo do Paulinho Rosa (proprietário do nosso ilustríssimo “Canto da Ema”) escreveu por esses dias. No qual ele retrata sobre os Dj´s e qual motivo ele não coloca um em sua casa.

Segue o link para apreciação do texto do Paulinho Rosa, no qual é intitulado:

 “A culpa é minha...” http://www.cantodaema.com.br/editorial.asp

Olha eu entendo muito o lado do Paulinho Rosa, é um jeito dele ter um “certo” controle da playlist do canto da ema, como ele mesmo diz:

(...) Equilibraremos os diversos momentos do forró, dando peso a cada um dos momentos do ritmo.(...)

Mas quero aqui ressaltar algumas questões que ele levantou sobre os Djs. Que em alguns casos eu até concordo, mas em outros acho que é um puro “pré-conceito”.

Vamos lá...

(...)tem aqueles que amam os arrasta-pés, mas tem os que odeiam cada um desses gêneros e como fazer para um DJ acertar o gosto de todos ao mesmo tempo?(...)

Claro que é impossível acertar o gosto de todos.  Mesmo com uma playlist eletrônica, é impossível fazer isso. Então nesse caso não importa ser o Dj ou uma playlist super eclética, o problema será sempre o mesmo.  Mas o fato de ter um D.J. é que ele pode perceber e sentir a pista.  O fator humano nisso que considero bem importante.  Pois o publico nunca será o mesmo de um dia para o outro. A playlist por mais eclética que ela seja não irá atingir todos os gostos e por não ter o fator humano, não é nem possível remediar durante o evento, pois a playlist se torna imutável.

(...) Como um DJ pode adivinhar o que cada um vai gostar se não tocar um pouco de cada um desses diferentes modos de interpretar?  (...)

Mas ai caímos na mesma questão, uma playlist pronta também não vai conseguir.  Mas o DJ pode usar um dos fatores mais humanos que temos, a intuição. Confesso que esse é um dos fatores que me norteia na hora que aperto os botões (hehe). Tento sempre por ritmos dançantes, e sempre crio uma linha do tempo imaginaria no qual ponho “uns mortos” para tocar como Gonzaga, Dominguinhos, Jackson entre outros e tento contemplar essa nova geração de pé de serra que está surgindo como Trio Dona Zefa, Ó do Forró, Mestrinho, Trio Alvorada, Bastião e por ai vai. E claro sem esquecer os nomes que estiveram nesse meio tempo como Falamansa, Rastapé, Forróçacana, Rastapé, Trio Virgulino, Trio Sabiá e etc.

Consigo contemplar todos? Claro que não, mas nem uma playlist pronta também consegue.

(...)O forró, como todo ritmo, tem moda. Os DJs tendem a seguir tais modas;(...)

Ainda estou pensando no que quer dizer com essa moda. Seria os novos estilos ou  os gêneros dentro do nosso forró pé de serra? Indiferente disso,  reconheço que cada D.J. tem seu estilo e claro as vezes tente a colocar mais um estilo do que outro. Mas ainda não vejo mal nenhum nisso.  Quando o forró se tornou “pop” em meados de 2000 não foi por que tinha virado moda? Logo por o que está na moda é tão ruim assim? Claro que tem suas exceções, na minha playlist ainda não está o Wesley Safadão, pelo menos não pretendo colocar tão cedo no Forró pé de Calçada. hehe (mas sempre tem aquele 1 % né).

 

(...)A questão é que DJs odeiam ser óbvios e o óbvio é que vai ajudar a conquistar os novos frequentadores.(...)

Concordo com Paulinho. De que adianta desenterrar um áudio ruim de ser ouvido só por que é um clássico? Meus amigos dizem que minha discotecagem é “coxinha” “Forró coxinha”, no qual sempre coloco coisas como Falamansa,  Ana Carolina, Zeca Baleiro” entre outros da MPB.  E penso justamente como o Paulinho, e os novos freqüentadores?  Ainda temos um preconceito muito grande com o nosso forró pé de serra, que o publico em geral não sabe a diferença do forró eletrônico para o nosso forrozinho amado. Então tocando grandes nomes como Elba Ramalho, Alceu Valença, Zé Ramalho, Gilberto Gil, Fafá de Belém, Clara Nunes, Leci Brandão e por ai vai. Ajuda aproximar esse publico. Esse foi um dos jeitos que achei para seguir o pedido do Pai Lua,  unir esse povo.

(...)os Djs tendem a atendê-los e tocam um numero de forrós e baiões muito maior do que de xotes.(...)

Realmente não tem como controlar isso, mesmo seguindo uma playlist única, sempre vai ter um ritmo que vai se exaltar mais que os outros.  Mas volto para aquele lance de sentir a pista. As vezes nem todos querem ouvir arrastapé naquele dia. Concordo em contemplar todos os ritmos, mas o fato de tocar um mais que o outro não vejo como um pecado capital onde devemos ser martirizados por “nossa você só tocou xote, credo”. Particularmente não gosto de ficar em um único ritmo especifico, acredito que deixa a discotecagem pobre. Mas tem o lance da nossa santa chamada “Nossa Senhora do BOM SENSO” . Onde tento sempre ascender uma vela azul para ela e fazer um som rico e prazeroso.  Mas sou humano e claro que vou pecar em algo (nossa fiquei bem religioso neste momento, vou me benzer).

Bem amigos,  precisava colocar minha opinião sobre esse assunto. Sou um novato e respeito muito as opiniões de pessoas como o Paulinho Rosa que tem muito mais experiência e está a muito mais tempo no cenário do que eu um mero organizador de eventos no parque.  Por isso só estou pondo minha opinião de forma humilde e tranqüila, não quero desrespeitar ninguém.  Canto da ema é uma referencia no forró pé de serra em São Paulo e uma das maiores casas que segura 100% do gênero. 

O que nos une é justamente o forró. Por isso deixo aqui um trecho da música “ me chamo forró do Ó do forró:

“Não me aperreie Menino, que eu sou um só
Do fundo da alma, Me Chamo Forró”

Tércio Emo Gomes

 

23 de fevereiro de 2016

COMENTÁRIOS
Comentário enviado com sucesso!